
Meu Amigo, em oito dias faço 43. Nem os 15, nem os 18, ou os 21, nem mesmo os 30, me fizeram sentir assim. De repente, a existência tornou-se diferente. Nenhum fato causador superveniente. Nada. Apenas a passagem dos 40. Pergunto-me o sentido da vida! Olha só que coisa esquisita!
Não o encontrei nas ambições por um novo apartamento. Ou por aquela sonhada viagem. Belas roupas? Que nada. Nem mesmo em um corpo helênico, irrepreensível e em um rosto jovem, isento das marcas do tempo. A idade me fez desejar ter menos. Ou muito mais. Não estou bem certo!
Mas onde estará o sentido da vida? Quando na porta de minha casa, o questionamento se torna ainda mais forte: Voltar ali pra que? Pra quem? Ou sair de lá pra que? Sabe Amigo, a idade tornou-se difícil! Ela me questiona fundo. Existir-mos. A que será que se destina?
Já não sinto satisfação nas rotinas corriqueiras da juventude. Parecem a mim um sentimento resolvido que, repetir-se, tornar-se-ia pura perda de tempo. Nem mesmo nas festas planejadas e propagadas. Elas se revelam inferiores, sempre, às minhas ambições. Nem nas reuniões de tantos que não sei sequer quem são, e que pouco têm a dizer. Ou nas novidades que soam igual às velhas. Nem mesmo o álcool traz qualquer satisfação. Antigamente, as conquistas e as aventuras sexuais me estimulavam. Hoje, as aventuras me parecem muito rápidas para construir a intimidade, que não se concretiza em um único dia.
Vivi e vivo intensamente cada segundo de cada dia. Uma existência plena, bem vivida. E como “a quem muito foi dado, muito será pedido”, a vida me pede que dela eu descubra o sentido. Essa pergunta me perturba. E vem a solidão da procura, que a ninguém é defeso compartilhar. Carrego essa cruz sozinho. Está na jurisdição da minha vida e é minha exclusiva responsabilidade. Há também a dor, essa velha conhecida.
Incorporei, com a idade, certos significados ao vocabulário presente da vida presente. Nem todos são vernáculos sociáveis ou agradáveis. Um deles é a impotência diante de certas situações. Por mais que eu queira, não as consigo mudar. Também passei a conhecer o significado da espera. E ela pode durar uma vida! Há aquela palavra, a “perda”, mas dessa nem eu, nem você, nem ninguém quer falar. Todos os dias aprendo novos termos. Coleciono significados. Mas as peças mais valiosas de minha coleção ainda são o “sonho” e a “possibilidade”.
Observo muito e tenho menos vontade de falar. Ainda me surpreendo, mesmo achando que isso nunca mais haveria de acontecer. Vejo as pessoas sendo convidadas a novos desafios, empreitadas e as vejo sem respostas, dizendo: “Eu tenho dúvidas! Eu tenho medo!” Minha impressão é que a vida e o tempo tomam a dúvida e o medo como suas respostas.
Mas, vez por outra, quando lhe olho nos olhos, reconheço alguém que também procura esse sentido. Que não se entregou à mesmice medíocre. Que não se satisfaz com pouco. Identifico aquele fogo arrebatador em sua retina. Nessas horas, sinto-me menos sozinho. O seu existir me acalanta. E descubro, ainda que meio embaçada, uma luz sobre aquilo que se revelaria o sentido das coisas. Que bom que não estou sozinho.
Talvez esteja aí da vida o sentido, e a fonte da juventude: não estacionar, não se projetar naquilo que todos querem, e que querem que sejamos. Ousar pensar e querer encontrar respostas. Não para tudo. Mas para aquilo que nos aflige. E saber que existem certos ”alguéns” que, como nós, insistem em sua procura na vida, sem se preocupar com que os outros vão esperar ou vão achar. Apenas seguindo seu coração. Obrigado por existir e por permitir que de sua existência eu compartilhe. Feliz Aniversário pra mim! E longa vida à nossa convivência!
Não o encontrei nas ambições por um novo apartamento. Ou por aquela sonhada viagem. Belas roupas? Que nada. Nem mesmo em um corpo helênico, irrepreensível e em um rosto jovem, isento das marcas do tempo. A idade me fez desejar ter menos. Ou muito mais. Não estou bem certo!
Mas onde estará o sentido da vida? Quando na porta de minha casa, o questionamento se torna ainda mais forte: Voltar ali pra que? Pra quem? Ou sair de lá pra que? Sabe Amigo, a idade tornou-se difícil! Ela me questiona fundo. Existir-mos. A que será que se destina?
Já não sinto satisfação nas rotinas corriqueiras da juventude. Parecem a mim um sentimento resolvido que, repetir-se, tornar-se-ia pura perda de tempo. Nem mesmo nas festas planejadas e propagadas. Elas se revelam inferiores, sempre, às minhas ambições. Nem nas reuniões de tantos que não sei sequer quem são, e que pouco têm a dizer. Ou nas novidades que soam igual às velhas. Nem mesmo o álcool traz qualquer satisfação. Antigamente, as conquistas e as aventuras sexuais me estimulavam. Hoje, as aventuras me parecem muito rápidas para construir a intimidade, que não se concretiza em um único dia.
Vivi e vivo intensamente cada segundo de cada dia. Uma existência plena, bem vivida. E como “a quem muito foi dado, muito será pedido”, a vida me pede que dela eu descubra o sentido. Essa pergunta me perturba. E vem a solidão da procura, que a ninguém é defeso compartilhar. Carrego essa cruz sozinho. Está na jurisdição da minha vida e é minha exclusiva responsabilidade. Há também a dor, essa velha conhecida.
Incorporei, com a idade, certos significados ao vocabulário presente da vida presente. Nem todos são vernáculos sociáveis ou agradáveis. Um deles é a impotência diante de certas situações. Por mais que eu queira, não as consigo mudar. Também passei a conhecer o significado da espera. E ela pode durar uma vida! Há aquela palavra, a “perda”, mas dessa nem eu, nem você, nem ninguém quer falar. Todos os dias aprendo novos termos. Coleciono significados. Mas as peças mais valiosas de minha coleção ainda são o “sonho” e a “possibilidade”.
Observo muito e tenho menos vontade de falar. Ainda me surpreendo, mesmo achando que isso nunca mais haveria de acontecer. Vejo as pessoas sendo convidadas a novos desafios, empreitadas e as vejo sem respostas, dizendo: “Eu tenho dúvidas! Eu tenho medo!” Minha impressão é que a vida e o tempo tomam a dúvida e o medo como suas respostas.
Mas, vez por outra, quando lhe olho nos olhos, reconheço alguém que também procura esse sentido. Que não se entregou à mesmice medíocre. Que não se satisfaz com pouco. Identifico aquele fogo arrebatador em sua retina. Nessas horas, sinto-me menos sozinho. O seu existir me acalanta. E descubro, ainda que meio embaçada, uma luz sobre aquilo que se revelaria o sentido das coisas. Que bom que não estou sozinho.
Talvez esteja aí da vida o sentido, e a fonte da juventude: não estacionar, não se projetar naquilo que todos querem, e que querem que sejamos. Ousar pensar e querer encontrar respostas. Não para tudo. Mas para aquilo que nos aflige. E saber que existem certos ”alguéns” que, como nós, insistem em sua procura na vida, sem se preocupar com que os outros vão esperar ou vão achar. Apenas seguindo seu coração. Obrigado por existir e por permitir que de sua existência eu compartilhe. Feliz Aniversário pra mim! E longa vida à nossa convivência!
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